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Pesquisa comprova que estabelecimentos são despreparados para atender os turistas que vão à ilha
A ilha de Algodoal, localizada no município de Maracanã, nordeste do Estado, foi um dos principais destinos de paraenses nas festas de Réveillon. No entanto, a profissionalização dos serviços prestados aos turistas está distante de ser alcançada. A constatação, que pode ser feita de maneira empírica por qualquer visitante, foi embasada por um estudo estatístico independente que mostrou o perfil do turista da localidade, bem como as principais reclamações - sujeira nas ruas, atendimento ruim em estabelecimentos e problemas de acesso à ilha. Resultados semelhantes já haviam sido obtidos em estudo realizado no mês de julho de 2010, mas, ao que parece, pouca coisa foi feita por empresários e poder público para mudar o quadro.
Os estudos realizados em julho e no Réveillon de 2011 são de iniciativa
do estatístico João Pinheiro, mestre em ciências florestais. No estudo
do final do último mês de dezembro, ele entrevistou 400 pessoas que
foram comemorar a chegada no Ano-novo na ilha. As análises focam
principalmente no impacto à economia do município, relacionando
variáveis como idade e escolaridade aos valores deixados por turistas em
Algodoal. Como era de se esperar, o público é essencialmente jovem, de
acordo com a análise: 72% dos entrevistados têm entre 11 e 31 anos.
Segundo levantamento feito por João, pelo menos 12 mil pessoas visitaram
Algodoal apenas nos dias 29, 30 e 31 de dezembro.
Segundo as análises, não há disparidade financeira de gastos entre
gêneros. Homens e mulheres consumiram praticamente os mesmos valores
durante as festas, totalizando uma média de R$ 900 por pessoa. Quando o
quesito é estado civil, a situação é diferente; pessoas casadas e
separadas gastaram, em média, R$ 1.354,00 e R$ 1.569,00,
respectivamente, enquanto solteiros, R$ 813,00.
Visitantes paraenses e até de fora do Estado admiram a ilha, mas apontam
diversas possibilidades de melhorias. Dentre as sugestões, limpeza,
apontada por 12,6% dos participantes; investimento em segurança,
alternativa de 11,2% dos entrevistados; preservação da ilha (8,3%) e
diminuição dos preços (5,7%). "Ainda impera o amadorismo de maneira
geral. Muitos donos de estabelecimentos se esforçam muito, mas não
conseguem melhorar os serviços", avaliou o estatístico. "Existem hotéis
bem avaliados, mas boa parte deles é alvo de reclamação. A ilha tem um
potencial muito grande, mas falta estrutura."
Mesmo com as reclamações, Algodoal ainda é paraíso para as férias.
Indagados sobre o que chama atenção na ilha, 33% dos entrevistados se
disseram atraídos pelas belezas naturais. Na preferência dos praieiros,
as festas chamam atenção de 16% do total.
Segundo o autor da pesquisa, a ilha de Algodoal poderia ter lucrado
ainda mais, porém deixou de arrecadar, somente neste Réveillon, cerca de
R$ 3,7 milhões. "O atendimento ruim faz com que as pessoas deixem de
gastar na ilha. Há uma diferença muito grande entre quem é bem atendido e
quem não é", explicou João Pinheiro, ressaltando que 44,3% dos
entrevistados estão insatisfeitos com o atendimento. "Se fossem bem
recebidos, o valor de R$ 3,7 milhões poderia ser distribuído em todo o
comércio local."
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